Nutrição no Envelhecimento

Por Nayara Rodrigues

Segundo classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), o envelhecimento da população é cada vez mais crescente, não só no Brasil, mas em todo o mundo, sendo consideradas como idosas pessoas com 60 anos ou mais no caso de países em desenvolvimento.

A previsão para o ano de 2025 é que o Brasil chegará a 32 milhões de idosos, estando em sexto lugar mundialmente. Num país com profundas desigualdades sociais, este crescimento gera um impacto social e econômico na saúde do idoso em função das circunstâncias sociais e econômicas em que vivem, além de trazer desafios importantes para o sistema de saúde.

O desenvolvimento de enfermidades crônicas não transmissíveis como doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemias, fraturas osteoporóticas, câncer e desnutrição, associadas às mudanças sociais psicológicas, fisiológicas e metabólicas, inerentes ao processo de envelhecimento, contribuem de forma negativa com o estado nutricional dos idosos.

Entretanto se houver alerta para prevenção nutricional, ou seja, um programa regular de atividade física associada a uma alimentação adequada, em termos quantitativos e qualitativos, é possível melhorar ou retardar o curso de muitas doenças crônicas, oferecendo aos idosos melhores perspectivas de vida e diminuição da ocorrência de mortes prematuras relacionadas às doenças crônicas.

Dentro do processo de envelhecimento o nutricionista é um profissional que se faz importante, pois é capaz de adequar a alimentação de pacientes idosos de acordo com suas patologias e individualidades, realizando avaliações nutricionais, de forma a executar ações de promoção à saúde, prevenção e tratamento, diminuindo assim os impactos que o envelhecimento causa ao sistema de saúde e à própria qualidade de vida desta população. Nunca é tarde para considerar a nutrição como um fator de promoção da saúde e prevenção de doenças.

MUDANÇAS FISIOLÓGICAS, PSICOLÓGICAS E METABÓLICAS INERENTES AO PROCESSO DE ENVELHECIMENTO

Mudanças na composição corporal

A massa de gordura e a gordura viceral aumentam, enquanto a massa muscular diminui.

Sarcopenia

Perda de massa muscular, força e funcionalidade relacionada com a idade, pode significativamente prejudicar a qualidade de vida de um idoso ao diminuir a mobilidade, aumentar o risco de quedas e alterar o metabolismo.

Estilo de vida sedentário

Poucos idosos fazem o mínimo recomendado de 30 minutos ou mais de atividade física moderada. A inatividade física pode gerar conseqüências danosas tais como: maior risco para doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, dislipidemia, obesidade, no final das contas números aumentados de morte.

Perdas sensoriais

As alterações relacionadas à idade que afetam o paladar, olfato e toque podem levar a diminuição do apetite, a escolhas alimentares não apropriadas e à ingestão insuficiente de nutrientes.. Um risco quanto estes sentidos estão prejudicados é a tentação de temperar demais os alimentos, principalmente usar sal em excesso.

Saúde bucal

Perda dentária, próteses e xerostomia levam a dificuldades de mastigação e deglutição. Dentes faltando, caindo ou estragados, ou dentaduras que não se ajustam corretamente dificultam a ingestão de determinados alimentos. Pessoas com estes tipos de problemas geralmente preferem alimentos, fáceis de mastigar e evitam alimentos nutritivos de maior densidade como grãos integrais, frutas frescas, vegetais e carnes.

Polifarmácia

A administração irregular de cinco ou mais medicamentos prescritos ou adquiridos sem receita é amplamente utilizada. As conseqüências em relação a nutrição são importantes, por exemplo, mais de 400 medicamentos comumentes usados podem causar boca seca.

Depressão

A depressão diminui os prazeres da vida, incluindo os da alimentação, costuma estar associada à falta de apetite, perda de massa corporal e fadiga. Os cuidados com a nutrição são importantes ao se tratar esta condição: deve – se oferecer alimentos ricos em nutrientes e calorias, líquidos adicionais, alimentos com textura modificada e alimentos prediletos nos melhores horários, nos quais a pessoa está mais predisposta a ingerir maiores quantidades.

Solidão

Perda do cônjuge e familiares, depressão e isolamento social, podem levar a anorexia ou hiporexia

Dificuldades financeiras

Aposentadoria insuficiente e desemprego podendo provocar a redução no poder de compra dos alimentos

A partir da tabela acima percebe-se o quanto a população idosa necessita de orientações e companheirismo, não somente por parte da família ou cuidador, mas, sobretudo dos profissionais da área de saúde, que futuramente terão que estar capacitados para lidar com uma população mais envelhecida.

Bibliografia

Cíntia A. Anjos, Nayara R. Sousa e Mara Heloísa C. Amparo. Análise retrospectiva do estado nutricional de idosos participantes da campanha de vacinação contra gripe em Araguari-MG no anos de 2008. 2009. Trabalho de Conclusão de Curso. (Graduação em Nutrição) - Universidade Presidente Antônio Carlos - campus Araguari. Orientador: Maria Fernanda da Cunha Rezende.

WELLMAN, Nancy S.; KAMP, Barbara. Câncer e Edaísmo. In: MAHAN, L. Kathleen; ESCOTT-STUMP, Sylvia. Krause: alimentos, nutrição e dietoterapia. 12. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010 Cap. 10, p. 286 -305.

Fonte da imagem: http://www.braian.com.br/?p=161

1 comentários:

Luísa N. disse...

Matéria abrangente e informativa. Para toda a equipe deste blog um Feliz Ano Novo!
Luísa

7/1/11

ÚLTIMOS COMENTÁRIOS

ARQUIVO