Alimentos Funcionais

Por Nicolas Gonçalves

Com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros e ao mesmo tempo o crescente aparecimento de doenças crônicas como obesidade, aterosclerose, hipertensão, osteoporose, diabetes e câncer, está havendo uma preocupação maior, por parte da população e dos órgãos públicos de saúde, com a alimentação.

Hábitos alimentares adequados como o consumo de alimentos pobres em gorduras saturadas e ricos em fibras presentes em frutas, legumes, verduras e cereais integrais, juntamente com um estilo de vida saudável (exercícios físicos regulares, ausência de fumo e moderação no álcool) passam as recomendações mais importantes na diminuição do risco de doenças e na promoção de qualidade de vida, desde a infância até o envelhecimento.

O papel da alimentação equilibrada na manutenção da saúde tem despertado interesse pela comunidade científica que tem produzido inúmeros estudos com o intuito de comprovar a atuação de certos alimentos na prevenção de doenças. Na década de 80, foram estudados no Japão, alimentos que além de satisfazerem às necessidades nutricionais básicas desempenhavam efeitos fisiológicos benéficos. Após um longo período de trabalho, em 1991, a categoria de alimentos foi regulamentada recebendo a denominação de "Foods for Specified Health Use" (FOSHU). A tradução da expressão para o português é Alimentos Funcionais ou Nutracêuticos.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), alimentos funcionais são aqueles que produzem efeitos metabólicos ou fisiológicos através da atuação de um nutriente ou não nutriente no crescimento, desenvolvimento, manutenção e em outras funções normais do organismo humano.

De acordo com a ANVISA, o alimento ou ingrediente que alegar propriedades funcionais, além de atuar em funções nutricionais básicas, irá desencadear efeitos benéficos à saúde e deverá ser também seguro para o consumo sem supervisão médica.

O surgimento recente desses novos produtos que trazem um "algo mais", além dos nutrientes já conhecidos, teve influência de fatores como: os altos custos com o tratamento de doenças, o avanço nos conhecimentos mostrando a relação entre a alimentação e o binômio saúde/doença e os interesses econômicos da indústria de alimentos.

É importante salientar que antes do produto ser liberado para o consumo deve obter registro no Ministério da Saúde e, para isso, precisa demonstrar sua eficácia e sua segurança de uso. O fabricante deve apresentar provas científicas comprovando se a alegação das propriedades funcionais referidas no rótulo são verdadeiras e se o consumo do produto em questão não implica em risco e sim, em benefício à saúde da população. Lembrando ainda que as alegações podem fazer referências à manutenção geral da saúde, à redução de risco mas não à cura de doenças.

As propriedades relacionadas à saúde dos alimentos funcionais podem ser provenientes de constituintes normais desses alimentos como no caso das fibras e dos antioxidantes (vitamina E, C, betacaroteno) presentes em frutas, verduras, legumes e cereais integrais ou através da adição de ingredientes que modifiquem suas propriedades originais exemplificada por vários produtos industrializados, tais como: leite fermentado, biscoitos vitaminados, cereais matinais ricos em fibras, leites enriquecidos com minerais ou ácido graxo ômega 3.

Um ponto que vale a pena ser comentado é o fato de alguns alimentos industrializados possuírem concentrações muito baixas dos componentes funcionais, sendo necessário o consumo de uma grande quantidade para a obtenção do efeito positivo mencionado no rótulo. No caso do leite enriquecido com ômega 3, por exemplo, seria mais fácil e vantajoso, o consumidor continuar ingerindo o leite convencional e optar pela fonte natural de ômega 3 que é o peixe. Primeiro, porque normalmente os produtos industrializados com ação funcional são mais caros, segundo, pois o peixe tem outros nutrientes importantes a oferecer como proteínas de boa qualidade, vitaminas e minerais. Portanto, o produto contendo a substância funcional não substitui por completo o alimento de onde foi retirado tal composto, uma vez que apresenta apenas uma característica deste.

Ainda em relação aos produtos industrializados com caráter funcional, é importante esclarecer que o simples consumo desse tipo de alimento, com a finalidade de obter um menor risco para o desenvolvimento de doenças, não atingirá o objetivo proposto se não for associado a um estilo de vida saudável levando em consideração principalmente, a alimentação e a atividade física.

Veja na tabela abaixo, alguns exemplos de alimentos funcionais e seus benefícios:

Alimento

Substância

Funcional

Ação

Soja

Isoflavona

Reduz os riscos de osteoporose e doenças cardiovasculares.

Alivia os sintomas da menopausa.

Tomate

Licopeno

Reduz a incidência de câncer da próstata.

Frutas Vermelhas

Antocianinas

Colaboram para função

Cardiovascular;

Auxiliam na eliminação

de substâncias tóxicas.

Alho e Cebola

Sulfetos alílicos

Reduz o risco de Hipertensão

arterial sistêmica.

Peixes marinhos (salmão, sardinha, atum, anchova, cavala, arenque)

Ômega - 3

Reduz o risco de aterosclerose;

Prevenção de doenças auto-imune e inflamatórias.

Alimentos de cor laranja e verdes escuros

Betacaroteno

Atua na prevenção de câncer e

doenças cardiovasculares;

Atua como antioxidante.

Cereais integrais Frutas, legumes e verduras

Fibras

Melhora a saúde intestinal, melhora os níveis de colesterol.

Suco natural de uva

Flavonóides

Atua como antioxidantes, previne doenças cardiovasculares e câncer.

Iogurtes,

leite fermentado

Pré e Probióticos

Equilibram a flora intestinal.

Azeite de oliva

Ácidos Graxos Monoinsaturados

Auxilia na prevenção do câncer de mama e próstata.

Óleos vegetais

Ômega – 6

Auxilia na prevenção de doenças cardiovasculares.

























Fontes:

SBAF (Sociedade Brasileira de Alimentos Funcionais).

ALIMENTOS FUNCIONAIS. Disponível em http://www.rgnutri.com.br

CUPPARI, Lilian. Nutrição Clínica do Adulto/ Guias de Medicina ambulatorial e Hospitalar UNIFESP. Editora Manole: São Paulo, 2002.

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