A importância da rotulagem de alimentos




A urbanização, a inserção da mulher no mercado de trabalho, o rápido avanço tecnológico e a globalização têm causado mudanças significativas no estilo de vida e nos hábitos alimentares dos indivíduos.
Isso resultou em uma maior participação de alimentos industrializados (ou processados) na dieta habitual da população brasileira, caracterizada pelo alto consumo de alimentos de origem animal, de açúcares e farinhas refinadas, em detrimento do consumo de cereais integrais e fibras.
A Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003 demonstrou que, em 30 anos, o brasileiro modificou extremamente seu padrão alimentar, reduzindo o consumo de arroz, feijão, batata, pão e açúcar, e aumentou a ingestão de iogurte e refrigerante. Outro sinal de mudança é o crescente consumo de alimentos preparados, que são aqueles manipulados e preparados em serviços de alimentação, expostos à venda, que aumentou de 1,7 Kg para 5,4 Kg per capita, no período.
A industrialização dos alimentos contribui para um consumo alimentar inadequado, devido à presença de quantidades elevadas de gorduras e açúcares nestes produtos, e o baixo consumo de cereais integrais. Essas mudanças aumentam o risco de obesidade e outras doenças crônicas não transmissíveis. Diante desses fatores, o Ministério da Saúde, junto com a Estratégia Global em Alimentação, Atividade Física e Saúde, estabeleceram a rotulagem nutricional obrigatória como uma estratégia para redução da incidência de excesso de peso e doenças crônicas não transmissíveis.
A rotulagem de alimentos é um tema que vem sendo muito discutido nos últimos anos, levando a reformulações constantes. Rotulagem é o processo através do qual se estabelece uma linha de comunicação entre as empresas produtoras de alimentos e os consumidores que desejam maiores informações sobre os produtos que estão comprando.
Desde as primeiras leis brasileiras criadas para normatizar a rotulagem de alimentos, o Estado vem alterando as leis, a fim de modernizá-las e torná-las eficazes quanto ao seu papel de informar o consumidor. No entanto, a legislação brasileira não foi atualizada de maneira condizente, o que permite distorções, utilização de palavras ambíguas, confusas e termos vagos que confundem o consumidor no entendimento dos termos nutricionais. Além disso, as ações para educação do consumidor, visando orientá-los na compreensão dos rótulos de alimentos, são extremamente falhas.
Rótulo é definido como toda inscrição, legenda, imagem ou toda matéria descritiva ou gráfica que esteja escrita, impressa, estampada, gravada, gravada em relevo ou litografada ou colocada sobre a embalagem do alimento. Os rótulos presentes nas embalagens de alimentos industrializados são elementos indicadores que servem como função publicitária e como informação ao consumidor no momento da compra, indicando inclusive a forma correta de conservação e preparo dos produtos alimentícios, e como conseqüência aumentar a eficiência do mercado e bem-estar do consumidor.
O fato da rotulagem ser obrigatória e estar disponível na maioria dos produtos não significa que os consumidores estejam utilizando-a na escolha dos alimentos que deverão participar de sua dieta diariamente, visando reduzir os excessos e danos à saúde.
As informações nutricionais presentes nos rótulos dos alimentos permitem ao consumidor a seleção de uma dieta balanceada, contribuindo para a diminuição da incidência de problemas de saúde relacionados a maus hábitos alimentares, como obesidade, hipercolesterolemia, doenças cardiovasculares, entre outras.
A legislação de alimentos, aliada à evolução social e econômica da humanidade, impulsionam a indústria ao desenvolvimento de alimentos adequados ao estilo de vida do homem contemporâneo, sendo este um desafio cada vez maior às indústrias alimentícias devido a concorrência.
É necessário que as informações contidas nos rótulos sejam completas, verdadeiras e esclarecedoras quanto à composição, qualidade, quantidade, validade e demais características da composição do produto, evitando confusões no entendimento do significado das informações veiculadas nos rótulos dos alimentos.


Fontes bibliográficas

MARCHIONI, D. M .L. & ZACARELLI, E. M. Transição Nutricional. Revista Higiene Alimentar.

IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2002-2003.

PHILIPPI, S. T. et al. Rótulos dos alimentos: como as pessoas entendem a informação nutricional? Revista Nutrição em Pauta.

ALMEIDA, F. F. B. Rotulagem de alimentos.

NASCIMENTO, S. P. Rotulagem nutricional. Revista Higiene Alimentar.

PASSOS, C. D. et al. Avaliação da rotulagem nutricional dos alimentos. Revista Higiene Alimentar.

2 comentários:

Daniela Sousa disse...

Os rótulos possuem uma importância inquestionável na hora de escolher o alimento/produto, mas infelizmente hoje as industrias utilizam os rótulos com a função de vender o produto. As informações contidas nestes não são sempre fidedignas e podem implicar na saúde do consumidor. É importante que haja uma fiscalização em relação a essas informações da rotulagem para que os menos desinformados não sejam vítimas dessas falsas informações.

27/3/11
Nicolas Gonçalves disse...

Prezada Daniela:
Realmente as indústrias utilizam o rótulo muito mais com a função de vender o produto do que informar o consumidor sobre o que ele está adquirindo.
Entretanto, não adianta que a indústria inclua informções completas se os consumidores não conseguem interpretar as informações mais simples.
Portanto, a população necessita ser capacitada a interpretar os dados básicos. E isso cabe a nós, com auxílio dos governantes, que devem investir em campanhas educativas.

28/3/11

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