Escolhas Alimentares


Por Adriana Ávila

Por que fazemos determinadas escolhas alimentares, mesmo sabendo que não são as mais saudáveis?

Tenho a mais completa certeza que esse é um questionamento que não só tem inquietado a mim, como também a todos que, de alguma forma, cuidam, orientam ou preparam a alimentação de alguém.

Então estou escrevendo para colegas nutricionistas, para aquela mãe ou pai que vê os filhos comendo de forma inadequada, para aquela esposa ou esposo que vê o companheiro (a) “escapulindo” da dieta e para a cozinheira que se esmera em preparar uma refeição saudável e vê os patrões comendo o pacote inteiro de salgadinho na frente da televisão!

Tenho certeza que essas cenas não são incomuns para todos nós.
Acho importante pensarmos, inicialmente, em três aspectos:

• Hábitos alimentares;
• Preferências alimentares;
• Escolhas alimentares.

Os hábitos alimentares são formados desde o momento do nosso nascimento.

Será que ocorre antes disso quando ainda estamos na barriga da nossa mãe?

Será que o que ela come irá, de alguma forma, influenciar nos nossos hábitos e preferências alimentares, que por sua vez influirão nas nossas escolhas alimentares futuras? Esse é um tema que quero estudar.

É a nossa família que primeiro nos apresenta os alimentos e preparações, por isso não focarei só na figura da mãe. Daí a responsabilidade também do pai, avôs, avós, tios e irmãos. Perceba que a coisa não é fácil.

Já vemos o bebê preferindo os alimentos doces aos salgados ou ao contrário.

Preferindo uma fruta à outra, um legume ao outro. E nessa fase é necessário cuidado para não instituir a dieta do chinelo ou da ameaça, que de nada adianta e é até bem pior. Aqui começam as nossas preferências alimentares.

Depois a criança vai para a escola e entra em contato com outros alimentos.

Quem nunca trocou de lanche com o amiguinho, levanta a mão? Quem nunca fez cara feia para a merenda servida pela escola? Quem nunca se esbaldou na cantina da escola (pastel, coxinha, bauruzinho, pão de queijo, cachorro quente, pipoca doce, refrigerante...) com a mesada? Agora temos opções mais saudáveis nas cantinas das escolas, pelo menos em algumas?! As escolas procuram ensinar conceitos básicos de alimentação e nutrição em sala de aula. As crianças aprendem a como se alimentar de forma correta e saudável. Vão para casa e começam a mostrar para a família como é uma alimentação saudável, e às vezes
a da casa dela não está muito correta. De tanto falar as crianças conseguem melhorar a alimentação em casa. Por isso eu penso que as crianças são aliadas dos nutricionistas. Penso também que é melhor ensinar a criança do que reeducar ao adulto.

Depois vem a adolescência e é importante fazer parte do grupo e a identificação é o que grupo come e o que curte comer! Nessa fase, muitas vezes, os hábitos e as escolhas alimentares que o jovem vinha mantendo é colocada em cheque.

Vamos para a “facul” que é quase o mesmo “lance” da cantina da escola.
Conforme o curso vai avançando vem a correria de conciliar os estudos, alguns trabalham também, e a questão da falta de tempo e de dinheiro, pode afetar as nossas escolhas alimentares.

Depois do diploma vem o desafio de conseguir um trabalho. Conseguido isso (a correria continua não se esqueça disso!), vem o curso de especialização.

Para a mulher a situação é mais emocionante ainda: cuida da casa, dos filhos e do marido, dela, muitas trabalham fora... Com tudo isso tem que ser mulher maravilha! Um dos cuidados é com a alimentação, não é mesmo? Muito bem. Dá para ela fazer isso tudo sozinha?

A resposta é não!

Por isso, cada um de nós precisa assumir a responsabilidade pelo seu hábito alimentar, pela sua preferência alimentar e pelas suas escolhas alimentares.

A escolha alimentar pode ser:

- pelo que eu gosto de comer, sendo ou não saudável;
- pelo que eu sei que preciso comer, gostando ou não;
- pelo que eu posso comprar, sendo ou não o adequado, gostando eu ou não.

A essa altura do campeonato já estou confusa! Imagino que vocês também!

Por todas essas questões que eu acho que fazemos determinadas escolhas alimentares, mesmo sabendo que não são as mais saudáveis.

E agora, o que fazer?

A primeira coisa é não se desesperar e nem entregar a toalha.

A segunda coisa é saber que fazemos escolhas alimentares, saudáveis ou não, ao longo da vida.

A terceira coisa é buscar o equilíbrio, o meio termo com relação à alimentação, como devemos fazer com todas as decisões que tomamos durante a vida. Acho que seria o meio termo entre seguir uma alimentação super rígida e a que libera tudo e em qualquer quantidade. É ser um pouco santa e um pouco devassa!

0 comentários:

ÚLTIMOS COMENTÁRIOS

ARQUIVO