Hibiscus sabdariffa L.: Flor para o jardim ou fitoterápico para a saúde? Maria Fernanda S .Moreira

Quem nunca admirou a beleza de um jardim florido com Hibiscus sabdariffa L. ? Pois saiba que o hibiscos tem muito mais à oferecer do que apenas enfeitar as ruas da cidade. O número de estudos com a planta cresceu nas últimas décadas, resultando em uma lista exemplar de resultados benéficos para saúde.

A planta de origem africana, passou a ser cultivada em outros continentes somente a partir do século XVII, recebendo diferentes nomes conforme a região de cultivo. Por isso, se você for à feira e não encontrar o H.sabdariffa L., não desista, talvez você encontre Vinagreira, ou Rosela, ou Caruru-azedo, ou Azedinha, ou Caruru-da-guiné, ou Rosélia, ou Groselha, ou Quiabo-rósea e se mesmo assim, não encontrar...procure em outra banca !

O interesse econômico pelo H.sabdariffa L., refere-se ao cálice da planta. Utilizado na forma desidratada, para fabricação de bebidas, geléias, molhos, chutneys, vinhos, corante e conservante। Em alguns países asiáticos (Japão, China, Coréia e Taiwan) a planta é consumida como alimento funcional.Os cálices são boa fonte de vitamina C, beta-caroteno, polifenóis, licopeno e antocianina. Tais compostos fitoquímicos e vitamina, quando presentes no organismo humano, reagem com os radicais livres (RL) e espécies reativas de oxigênio (ERO), resultantes do metabolismo normal do oxigênio ou induzidos por danos externos, desempenhando a função de antioxidante e contribuindo para prevenção e redução do estresse oxidativo.

As antocianinas demonstram elevado potencial antibacteriano, utilizado como conservante pela indústria de alimentos e como antibiótico natural na alimentação humana.

A infusão feita com os cálices tem efeito diurético, contribuindo para diminuição da retenção de líquidos.

Alguns estudos sugerem que o H.sabdariffa L., desempenhe ação inibidora na síntese de triglicerídeos e na oxidação de LDL, promovendo efeito hipolipemiante e cardioprotetora. Os autores associam essas atividades à presença de substâncias como esculetina, ácido protocatequico (composto fenólico) e ácido hibíscico.

O efeito hipotensor do H.sabdariffa L. é outro benefício, já bem documentado por estudos in vitro e in vivo, desenvolvidos com extratos metanólico e aquosos. Propriedade atribuída aos flavonóides (quercetina, luteolina e gossipetina), pelo efeito vasorelaxador sobre a artéria aorta e provável interação com receptores histaminérgicos. Além da ação, pouco elucidada, do ácido clorogênico.

Outras atividades benéficas também são descritas na literatura, porém ainda necessitam de mais estudos. Entre elas podemos citar a inibição na enzima pancreática alfa-amilase e enzima intestinal alfa-glucosidade, ambas responsáveis pelo metabolismo dos carboidratos. E a inibição na adipogênese e diferenciação de pré-adipócitos, através da modulação de fatores de transcrição. Com base nessas atividades, suspeita-se que o H.sabdariffa L. seja efetivo também no controle do peso corporal.

É importante salientar que todos os benefícios mencionados, são obtidos através de um tratamentos fitoterápico, que requer quantidades e formas de administração adequadas para cada caso. Associando à orientação dietética e planejamento alimentar e sendo prescrito por um profissional habilitado. Pois quando trata-se de uma matéria prima vegetal a dose tóxica pode estar bem próxima da dose terapêutica.

Referências

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Por Dra

Maria Fernanda S .Moreira CRN2 7435P

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