NUTRIÇÃO ESPORTIVA: CICLISMO


Dra Emyli Chaves Fernandes – Nutricionista MG

Há várias décadas, observa-se o exercício como um importante fator que influencia diversos aspectos fisiológicos do organismo, como a musculatura esquelética, os sistemas circulatório e cardiovascular e as funções pulmonares e endócrinas (NICASTRO, et al., 2008). O sucesso da performance atlética é um equilíbrio entre a vontade, a genética favorável, o treinamento e uma adequada nutrição.

A prática regular de exercícios físicos exerce efeitos satisfatórios no metabolismo; dentre eles, redução da gordura corporal e em contrapartida, aumento da massa muscular, melhorando o perfil lipídico, diminuindo os riscos de doenças cardiovasculares e controlando a pressão arterial e a glicemia (BION, et al., 2003).

As alterações fisiológicas e os desgastes nutricionais, proporcionados pela atividade física, podem levar o atleta ao limite de saúde e de doenças, se não acontecer uma regulagem ajustada desses eventos (PANZA, 2007).

É sabido que o exercício, isoladamente, não traz benefícios eficientes sem o devido seguimento de uma dieta equilibrada. A nutrição e o exercício físico apresentam uma relação importante, já que a capacidade de rendimento do organismo é melhorada com uma dieta adequada, através do consumo adequado e balanceado dos nutrientes (BION, et al., 2003). Independente, se o atleta é amador ou profissional, de nível leve ou avançado, é imprescindível o papel da nutrição para a contribuição do desempenho durante os treinos e competições (MAHAM, ESCOTT-STUMP, 2010).

A nutrição tem um papel fundamental de oferecer a energia apropriada para o trabalho biológico, realizado durante o esforço físico, além de nutrientes que melhoram a obtenção e a utilização dessa energia. Os nutrientes, oriundos da alimentação balanceada, são fundamentais na formação, reparação e reconstituição de tecidos corporais, mantendo a capacidade funcional e estrutural do organismo e tornando viável a prática do exercício físico (NACIF; VIEBIG, 2008).

A falta de conhecimento sobre a nutrição é agravada, invariavelmente, pela vigência de hábitos nutricionais fundamentados em superstições, conselhos de amigos ou reportagens em imprensa leiga, o que não é interessante para o desempenho físico do atleta, pois pode haver prejuízo em sua performance (SOARES et al., 1994). Os ciclistas são considerados alvo de muitas informações equivocadas, com relação às dietas ou complementações nutricionais e, na maioria das vezes, são indicadas por pessoas não aptas a essa função.

Dessa forma, torna-se importante o conhecimento dos substratos e suas recomendações para um melhor desempenho (TIRAPEGUI, 2006). É importante que se tenha uma alimentação adequada em termos de aporte calórico, pois a restrição de macro e micronutrientes podem trazer ao organismo situações indesejáveis de estresse que comprometem a performance do exercício (NACIF; VIEBIG, 2008).

Atividades físicas prolongadas, especialmente, aquelas com duração superior a 30 minutos e que duram horas, como endurance e ultra-endurance, podem, na maioria das vezes, levar a aumentos das necessidades energéticas acima de 10 vezes, em relação ao repouso (RAVAGNANI, et al., 2005).

O ciclismo é uma atividade esportiva cujos treinos e provas são considerados modalidades de longa duração. Estes possuem percursos e graus de dificuldade variados. É estimado, portanto, um esporte de grande requisição física e nutricional em que o gasto calórico e hídrico são situações comuns no exercício, que tem o aporte nutricional como um grande aliado (MAHAM, ESCOTT-STUMP, 2010).

Pode-se considerar uma opção de atividade aeróbia, por ter como objetivo conservar ou aprimorar a capacidade cardiorrespiratória, apresentando, também, importantes resultados nas ações de diminuição da gordura corporal e tonificação muscular (MARTINS et al., 2007).

A busca por uma forma física esteticamente perfeita e pela melhora no condicionamento tem levado muitas pessoas a lançar mão de recursos que potencializem os seus desejos no menor tempo possível. Entre esses recursos, podemos citar os suplementos alimentares que podem ser comprados em farmácias e lojas com facilidade, muitas vezes sem orientação médica (ZEISER; SILVA, 2007).

Assim, é de grande importância uma orientação adequada para a utilização de suplementos. Os profissionais, com conhecimentos prévios, para avaliar, se há necessidade dos praticantes de atividades físicas utilizarem suplementos e fazer a prescrição, são os nutricionistas e os médicos especializados em Medicina do Esporte (CFN nº8.234/1991).

Os nutricionistas esportivos e outros profissionais que atuam na medicina do esporte deveriam dar importância ao de uso de suplementos, para realizar uma possível educação aos clientes sobre esse uso. Devem ser questionados e avaliados quais suplementos seus clientes estão usando, a dose, e se esse uso pode comprometer o diagnóstico e o tratamento.

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