Conhecendo os adoçantes

Dra. Adriele Barcelos – Nutricionista MG

Hoje os adoçantes artificiais são bastante consumidos pelas pessoas com o objetivo de reduzir as calorias da dieta. Entretanto o usar ou não ainda é dúvida para muitos, depois de ver tantos disparos contra essa substância nos canais de comunicação. Um dia era o companheiro no outro apontado como colaborador para o aumento do peso e até relacionado a doenças como o câncer. Conheça agora as características, indicação, contraindicação, cuidados, etc.

Mas afinal o que é adoçante?

O adoçante dietético é produzido a partir de edulcorantes, substâncias naturais (contendo menor quantidade de calorias que o açúcar) ou artificiais (não contendo calorias) responsáveis pelo sabor doce. Possuem um poder de adoçamento muitas vezes muito maior que o açúcar de cana (açúcar comum).

Uso

Seu desenvolvimento foi para atender principalmente a uma necessidade do indivíduo diabético, porém são recomendados também para dietas especiais como as de emagrecimento. Não deve ser usado sem uma real necessidade e deve estar dentro dos padrões da Organização Mundial de Saúde (OMS), onde veremos mais adiante.

Relação dos principais tipos de adoçantes encontrados no mercado, com suas respectivas características:

Adoçantes artificiais


Aspartame:
É o tipo mais utilizado entre os adoçantes, tem capacidade de adoçar 200 vezes mais que a sacarose. Seu valor energético é de 4 calorias/gramas. Origem: Amino- ácidos: fenilalanina e ácido aspártico, não causa cáries, possui sabor residual semelhante ao da sacarose, não deve ir ao fogo, deve ser misturado aos alimentos no momento do consumo, portadores de fenilcetonúria (incapacidade do organismo de metabolizar a fenilalanina) não deve usar o aspartame, permitido para diabéticos.

Sacarina: Derivado do petróleo é o tipo mais antigo de adoçantes com capacidade de adoçar 500 vezes mais que a sacarose, porém deixa sabor residual na boca. É bastante utilizado em alimentos, cosméticos e medicamentos. Deve ser consumido com moderação pelos hipertensos, pois contém sódio, pode ir ao fogo, permitido para diabéticos.

Ciclamato de sódio: Derivado do petróleo, bastante utilizado em alimentos, mas é proibido em alguns países por provocar efeitos cancerígenos, mutantes em células e alérgicos. Possui baixo poder adoçante (50 vezes) mais que a sacarose e sabor residual azedo, pode ir ao fogo, permitido para diabéticos, deve ser consumido com moderação pelos hipertensos, pois contém sódio.

Sucralose: Origem: Molécula modificada de sacarose. É bastante utilizada em produtos esterilizados, UHT, pasteurizados e assados, pois é estável a grandes temperaturas, é eliminada totalmente do organismo pela urina num prazo máximo de 24 horas, não produz cáries e reduz a produção de ácidos que as produzem, adoça 600 vezes mais que a sacarose, permitido para diabéticos, sabor similar ao do açúcar, não possui sabor amargo, custo elevado.

Acessulfame-k: É o adoçante mais resistente ao tempo e a altas temperaturas. Adoça 200 vezes mais que a sacarose e é eliminada totalmente pelo organismo através da urina, derivado do potássio, pode ir ao fogo, permitido para diabéticos, pessoas com deficiências renais que necessitam limitar a ingestão de potássio (K) devem estar cientes de que este produto contém pequenas quantidades deste elemento, apresenta sabor residual amargo.

Adoçantes naturais

Frutose: É extraído de frutas, cereais e mel, tem capacidade de adoçar 173 vezes mais que a sacarose. Deve ser usado com moderação já que provoca cáries e tem consumo limitado para diabéticos, contém 4 kcal por grama, pode ir ao fogo, custo elevado.

Xylitol, Sorbitol e Manitol: Originado de frutas e algas marinhas, adoça 50 vezes mais que a sacarose. São álcoois de açúcar obtidos pela redução da glicose (sorbitol) e frutose (manitol).O xylitol é obtido pela hidrogenação da xilose. Contêm 4 kcal por grama, não causam cáries e por isso são largamente utilizados na produção de goma de mascar e são utilizados por indústrias na elaboração de produtos dietéticos.

Esteovídeo: Tem capacidade de adoçar 300 vezes mais que a sacarose e é encontrado na planta Stevia Rebaudiana. Não contém calorias e é estável em altas temperaturas. É bastante consumido no mundo oriental, principalmente no Japão, seu sabor residual é semelhante ao do alcaçuz, não causa cáries, custo elevado.

Doses recomendadas

A (OMS) sugere uma quantidade limite de ingestão dos adoçantes artificiais. Veja, a seguir, a recomendação máxima diária de acordo com a OMS: Para obter o valor diário (máximo) recomendado basta multiplicar o valor abaixo pelo seu peso.

Edulcorante Limite (mg/kg)
Acessulfame K 15
Aspartame 40
Ciclamato 11
Sucralose 15
Sacarina 5
Stévia 55
Xylitol, Manitol, Sorbitol 15

Gestantes

A Associação Americana de Diabetes, nas suas recomendações de 1995, estabelece que os adoçantes não calóricos podem ser usados com moderação. No entanto, alguns trabalhos orientam que o melhor é não usar adoçante, pelo menos durante o primeiro trimestre, fase de embriogênese. A recomendação é devida à falta de consenso quanto aos efeitos dos adoçantes sobre o feto.


Dicas para consumir adoçantes corretamente

ü Recomenda-se o uso variado de adoçantes, evitando concentrar-se em um só, a fim de prevenir seus possíveis efeitos deletérios;

ü Os hipertensos devem usar, preferencialmente, adoçantes que não contenham

sódio na composição, ou seja, procurar evitar sacarina e o ciclamato de sódio;

ü Evite ingerir um excesso de produtos diets (gelatina, pudins, refrigerantes, etc);

ü Dê preferência a sucos de frutas naturais com pouco ou nenhum açúcar ou mesmo doces contendo pouco açúcar;

ü Utilize os adoçantes para substituir o açúcar sempre com moderação.

Por fim devemos levar em consideração que além do adoçante utilizado no suco ou cafezinho, ainda se consome a substância em alimentos diet industrializados. Portanto, é preciso ficar atento ao exagero. Sempre verifiquem os produtos para avaliar a quantidade de adoçante e manter o equilíbrio evitando os que contenham mais de dois tipos. Afinal todo excesso traz prejuízos à saúde. E os adoçantes dietéticos não fogem à regra, portanto devem ser consumidos com moderação.

Fonte:

Manual de Abordagem nutricional em diabetes mellitus. Ministério da Saúde, 1999.

Livro: Comer bem como? Manual de Orientações Nutricionais.

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