A Síndrome da Pressa e sua influência nos hábitos alimentares


Dra Adriana Mendes Abreu – Nutricionista SP

Quem não se lembra do Sr. Coelho, personagem sempre apressado e atrasado da história “Alice no país das maravilhas”? Este estilo de comportamento já existe há muito tempo, mas é conhecido atualmente como Síndrome da Pressa. Sua incidência tem sido cada vez maior desde a década de 80.

A Síndrome da Pressa não é considerada uma doença e não possui nenhum tipo de tratamento medicamentoso. Esta síndrome é considerada um conjunto de comportamentos que afetam diretamente a saúde, qualidade de vida e bem estar do indivíduo.

O ritmo acelerado da vida moderna, a velocidade com que coisas acontecem, a constante cobrança por resultados que tem ser produzidos cada vez mais e em menos tempo são, entre outros fatores, os mais importantes no aumento da incidência desta síndrome na população adulta.

Um estudo recente da PUC de Campinas revelou que:

· 65% dos brasileiros apresentam tendência à Síndrome da Pressa;

· 95% dos executivos sofrem da Síndrome da Pressa;

· 10% desenvolveram patologias a partir da Síndrome da Pressa, como: problemas cardiológicos, hipertensão arterial, diabetes do tipo 2, depressão e Síndrome do Pânico.

Entre as mudanças de vida e hábitos que esta síndrome traz, está a pressa em se alimentar. As escolhas para as refeições durante o horário de trabalho passam a estar vinculadas ao tempo que se dispõe para se alimentar e não nas preferências ou no prazer que a alimentação deve proporcionar. Come-se no menor tempo possível. E quando se está em casa não é diferente. Come-se na frente da TV, sem sentar-se à mesa com a família. Alimentar-se deixou de ser um momento de união e prazer e passou a ser um ato automático.

O alimento é o que mantém o corpo em prefeito e pleno funcionamento, é a conexão entre o corpo que temos e a percepção que fazemos dele. Quando não damos importância a isso deixamos de apreciar sabores, texturas, lembranças e, consequentemente, a quantidade. Comer rápido significa comer mal. É comum acabarmos comendo mais do que o necessário.

O indivíduo que desenvolve a Síndrome da Pressa perde a conexão entre corpo e alimento. Esta mudança de hábitos pode levar ao aparecimento de várias doenças, desde uma gastrite até a obesidade e o infarto.

A refeição, tanto fora de casa como em casa, deve ser um momento de prazer. Para isso, é muito importante aprender a mastigar os alimentos, apreciar os sabores e comer devagar. Sentar-se à mesa com a família é a oportunidade de comunhão entre pais e filhos e uma maneira de evitar que as crianças desenvolvem está síndrome no futuro.

Os resultados desta síndrome passam por sintomas emocionais como a ansiedade; sintomas físicos como dores musculares e alteração no peso corporal e sintomas comportamentais como alteração dos hábitos alimentares.

Para combater e evitar a síndrome da Pressa e suas conseqüências é necessário que as pessoas aprendam a valorizar pequenas tarefas, tornado-as prazerosas como, por exemplo: ouvir uma música leve, observar um pássaro, dormir ao menos 8 horas por dia, alimentar-se de maneira saudável, de preferência ao redor de uma mesa acompanhado da família ou de amigos.

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