Gastronomia e Dieta Hospitalar

por Dra. Francielle Arruda Rampelotti – Nutricionista SC


Nos últimos anos o conceito de hospital tem sofrido muitas alterações. Além da permanente preocupação com atendimento médico, uma série de outros fatores têm sido alvo de constantes mudanças a fim de promover não só a rápida recuperação do paciente, mas também a satisfação deste como cliente. 

A nutrição hospitalar, por exemplo, durante muito tempo foi tratada apenas com o intuito de suprir as necessidades calóricas dos pacientes sem levar em consideração o fator degustativo. Isso fez com que fosse criado um preconceito em relação às refeições servidas nos hospitais. A maioria das pessoas se refere à comida hospitalar como “sem gosto” e “sem graça”. Mas sabe-se que é possível elaborar um cardápio adequado ao quadro clínico do paciente, sem comprometer a qualidade e principalmente o sabor da refeição. 

Em virtude disso, muitos hospitais hoje, contratam um número maior de nutricionistas para fazer um acompanhamento individualizado com cada paciente. "A adesão do paciente à dieta está diretamente relacionada à compreensão que o mesmo tem da importância do tratamento dietético para sua reabilitação, bem como a satisfação com que o mesmo se alimenta, e o prazer em receber refeições que satisfaçam todas as suas necessidades dietoterápicas e pessoais."(Marques, Pucci e Maculevicius,2002). 

 É bem verdade que este tipo de serviço ainda é privilégio das classes mais altas, cujos pacientes podem desfrutar de um atendimento particular. Os hospitais particulares vêm incorporando o conceito de hotelaria na área hospitalar e vêem o paciente cada vez mais como cliente, enquanto os hospitais públicos precisam primeiramente “driblar” uma série de dificuldades no atendimento básico ao paciente (como a falta de medicamentos, por exemplo). 

Contudo, vale ressaltar que COMER, além de necessidade é um ato de prazer e a missão dos hospitais, neste sentido, é fazer com que o paciente sinta-se bem alimentado durante o período de internação e tenha um rápido restabelecimento. Unir a gastronomia à dietoterapia é o primeiro passo deste caminho, além de tentar eliminar definitivamente com o preconceito das pessoas em relação às refeições hospitalares.

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