Dieta doença celíaca


por Dra. Fabiana Neumann - Nutricionista RS


A doença celíaca, um distúrbio digestivo que afecta uma em cada 100 pessoas, é definida como uma enteropatia imune caracterizada por hipersensibilidade intestinal progressiva desencadeada pela ingestão do glúten, levando a graus variados de alterações na mucosa intestinal. Os sintomas variam incluindo diarreia, desconforto abdominal, perda de peso, anemia, infertilidade inexplicada, perda de dentes ou, mesmo, osteoporose prematura ou grave. Atualmente pode ser considerada, mundialmente, um problema de saúde pública principalmente devido à alta prevalência, freqüente associação com morbidade variável e não-específica e, em longo prazo, à probabilidade aumentada de aparecimento de complicações graves.

A chave para o tratamento desta doença ainda é a exclusão do glúten da alimentação do paciente, ao longo de toda a vida. O glúten está presente em cereais como trigo, centeio, cevada e grãos híbridos desses cereais e deve ser excluído da alimentação. A exclusão da aveia na alimentação desse paciente ainda é discutível, já que ela não produz reações na maioria dos pacientes celíacos. Seguir uma dieta isenta de glúten não é tão simples. Na prática observa-se uma série de dificuldades na manutenção desta dieta, não somente por parte do paciente, como também de seus familiares, pois consiste em uma mudança radical do hábito alimentar.

Com a retirada do glúten da dieta, a resposta clínica é rápida, havendo desaparecimento dos sintomas gastrintestinais com restauração da morfologia normal da mucosa, dentro de dias ou semanas. O tratamento dietoterápico deve considerar a situação fisiopatológica e as necessidades nutricionais do paciente com o objetivo de eliminar os sintomas, facilitar e favorecer a absorção dos nutrientes, normalizar o trânsito intestinal, recuperar o estado nutricional e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

A ampliação da dieta deve ser progressiva e individualizada, apesar da resposta terapêutica rápida, pois há retrocessos na evolução intimamente ligados a técnicas dietéticas inadequadas. O glúten não é uma proteína indispensável e pode ser substituído por outras proteínas vegetais como feijão, ervilha, grão de bico e soja e proteínas animais, além dos derivados do milho, batata, mandioca e arroz. Os produtos lácteos também devem ser evitados inicialmente no tratamento pelo fato dos pacientes celíacos freqüentemente apresentarem deficiência secundária à lactose. No entanto, podem ser reintroduzidos após um período de 3 a 6 meses. Outra opção que pode ser temporariamente benéfica é, até a completa recuperação da mucosa, fazer uso de suplementação de lactase.

Deve-se dar atenção também aos alimentos e produtos farmacêuticos que utilizam amido de trigo como ingrediente em suas formulações. Para isso, o paciente celíaco deve ser orientado quanto à composição dos medicamentos prescritos para ele, pois o glúten pode estar presente como excipiente nas cápsulas, comprimidos ou suspensões orais.

Quanto maior o grau de conhecimento da doença e de seu tratamento por parte dos pacientes celíacos, maior a obediência à dieta isenta de glúten. A exclusão do glúten da dieta não cura a alergia, mas remite a alteração intestinal e suas complicações. A aderência ao tratamento depende muito também dos familiares e é extremamente importante saber educar os doentes.


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