Frango tem ou não tem hormônios?


por Dra. Deise Dantas Barcellos – Nutricionista RJ

No consultório, muitos pacientes atribuem o seu excesso de peso ao consumo de frango que, segundo eles, "estão cheios de hormônios", e com isso, não conseguem emagrecer, mesmo fazendo dietas.
No supermercado uma vez ou outra nos deparamos com a seguinte frase nas embalagens de alguns frangos congelados "Não contém hormônio". Muitas vezes pagamos mais caro só para ter a certeza de que não estamos levando para casa algum produto nocivo à saúde.
Na verdade, as informações espalhadas por alguns produtores e até pela mídia nem sempre são tão claras e podem contribuir para um alarme desnecessário. Pelo menos é o que dizem os especialistas do setor.
De acordo com Sulivan Pereira Alves, Coordenadora técnica da ABEF – Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos, estas empresas muitas vezes tiram proveito da falta de conhecimento dos consumidores. "Nenhum frango, convencional ou orgânico, recebe hormônios em sua criação e a ABEF não concorda com esse tipo de anúncio."
Carne de frango não possui hormônios e, entre outras razões está a inviabilidade. Segundo dados da própria ABEF somente no ano passado foram produzidos no país cerca de 5,2 bilhões de frangos e os hormônios para produzir o efeito de crescimento deveria ser administrado diariamente. Logo, a prática seria dispendiosa e não promoveria o resultado desejado.
De acordo com matéria publicada na revista Terra Brasil de nº 3 e com a Assessoria de Imprensa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, quem também desmistifica a aplicação de hormônios exógenos em frangos é o veterinário Leandro Feijó, da Secretaria de Defesa Agropecuária, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SDA/Mapa)."O tempo de vida do animal até o abate inviabiliza qualquer tentativa de utilização de hormônios nesta espécie, assim como o tempo suficiente para a sua atuação no organismo", defende.
Feijó coordena o Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC), que monitora, continuamente, a presença de medicamentos veterinários de uso proibido no País em carnes, incluindo hormônios. Ele explica que, nos últimos quatro anos, foram realizadas mais de 2,8 mil análises em frangos e atesta: "a partir dos resultados obtidos, a conclusão é de que não há indícios da utilização dessas substâncias nas carnes de aves consumidas pela população brasileira e exportada a mais de cem países".
Outra questão, apontada pela técnica da ABEF, seria a legislação. A Instrução Normativa nº 17, de 18 de junho de 2004 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA proíbe o uso de substâncias estimulantes do crescimento. "Mesmo que alguma indústria avícola tentasse fazer uso, burlando as leis estabelecidas, não obteria êxito, pois é completamente impraticável sob o ponto de vista econômico e não sobreviria aos procedimentos de fiscalização hoje existentes", esclarece.
A carne de frango, devido a características como praticidade na compra e no preparo, tem uma grande representatividade no mercado mundial. No Brasil a produção de pintos de corte equivale cerca de 12% da produção mundial e coloca o país como o principal produtor do mundo no setor. Por esta razão, Sulivan afirma que a indústria brasileira não poderia correr o risco de "ter seu produto condenado".
Mais um motivo de dúvidas entre os consumidores é a utilização de antibióticos que, normalmente incorporados às rações dos animais, poderiam com o tempo provocar a resistência no corpo humano a determinados medicamentos. Mas, estas afirmações também seriam exageradas pois, embora a utilização de antibióticos para melhora de desempenho ou com objetivo terapêutico sejam permitidos, existem regras rígidas a serem seguidas pelo o setor. Além da forte fiscalização realizada pelo MAPA.
Sulivan afirma que o Brasil segue fielmente as normas do Codex Alimentarius – órgão criado pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e alimentação) e pela Organização Mundial de Saúde para desenvolver normas alimentares - orientações e textos relacionados, tais como códigos de boas práticas. E, no que diz respeito à utilização de substâncias na produção, determina o Limite Máximo de Resíduos que podem estar presentes em 1Kg de alimento a fim de que não produzam efeito tóxico.
Segundo a Assessoria de imprensa do MAPA, Os resultados do monitoramento no Programa de Controle de Resíduos e Contaminantes em carnes de aves, bovinos, suínos e eqüinos, leite, ovos, mel e pescado, em 2008, segundo Feijó do MAPA, podem ser considerados satisfatórios. "No entanto, demonstram a necessidade de vigilância contínua para mitigar o risco de violações que foram detectadas", alerta.
Das 19.211 análises concluídas, 99,85% não apresentaram resíduos de medicamentos veterinários ou contaminantes acima dos limites estabelecidos. Destaque para mel, camarão de cultivo e pescado de cultivo, que não apresentaram nenhuma irregularidade no ano passado.
O Programa para aves também alcançou percentual positivo, no último ano. Das 8.209 análises concluídas, apenas cinco, ou 0,06%, apresentaram resíduos.
Ricardo Santin, Diretor Executivo da associação, assegura que o mito ainda não prejudica o comércio das aves, mas preocupa o setor.
"No entanto, nos preocupamos que esse tipo de informação continue sendo veiculada e no futuro atrapalhe não somente quem comercializa o frango, mas quem deixa de comprá-lo devido a esse equívoco, prejudicando uma cadeia que gera mais de 250 mil empregos diretos e 4 milhões indireto. Aí seriam dois setores prejudicados: o comercial, que deixa de vender e o consumidor, que deixaria de adquirir um produto de excelente qualidade nutricional e de preço acessível a todos." , completa Ricardo Satin.

Portanto, se você acha que o frango é o responsável pelo seu fracasso nas dietas de emagrecimento, está enganado. Procure um nutricionista para traçar seu perfil nutricional, pois fazer uma dieta e reeducação alimentar sozinho não traz bons resultados. A dieta deve ser individualizada. O nutricionista colhe várias informações para fazer sua orientação alimentar. Não é como uma receita de bolo que pode ser passada igual para todos. Pense nisso!
Fonte: alguns dados do portaldoconsumidor
 
Dra. Deise Dantas Barcellos

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