Nutricionista e Alimentação Viva (germinados)


por Dra Rita de Cassia Sales Coutinho Caputi – Nutricionista RJ



Você conhece ou se lembra dos alimentos germinados?
Já conhecida e praticada há muitos anos, desde a década de 80, a alimentação viva é aquela que valoriza a vitalidade (expressão da energia vital contida em todos os seres) de todos os alimentos. Na mesa, o alimento com maior vitalidade é o vegetal no início do seu crescimento; por isso, as sementes germinadas e brotos constituem as bases da Culinária Viva.
  • Os alimentos podem ser classificados segundo sua energia vital como sendo:
  • Biogênicos (que favorecem a geração da vida) – sementes germinadas e brotos;
  • Bioativos (ativam a vida, por ainda manterem a vitalidade) – frutas, legumes, verduras cruas e frescas;
  • Bioestáticos (mantêm a vida) – alimentos cozidos, congelados e refinados;
  • Biocídios (consomem a vida) – alimentos com produtos químicos ou radiações, conservantes e aromatizantes.


As sementes, quando germinadas, produzem grande quantidade de enzimas digestivas que facilitam o processo digestivo de todos os alimentos, além de potencializarem a energia vital em seu interior e seu poder nutritivo em até 20.000 vezes.
Além de ser um ato social, o ato de comer é considerado uma forma de cuidar do corpo, diferentemente dos hábitos culturais, que são primeiramente atos sociais, orientados pelo prazer, isto é, condicionamentos influenciados pelo ambiente em torno, pela forma como foram introduzidos, carregados de afetos, situações econômicas, facilidade de acesso, entre outros. Daí, a Alimentação Viva também tem sido chamada de “Alimentação Consciente”.
No Rio de Janeiro, a professora Ana Branco, do Departamento de Artes e Design da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), tem o mérito de associar arte à saúde através do laboratório de pesquisas Biochip, adaptando, inicialmente, os trabalhos sobre Alimentação Viva. Posteriormente, houve uma parceria que ampliou o Biochip, parceria esta com o pelo grupo Terrapia (grupo que promove cursos sobre alimentação Viva), também com a participação da professora Ana Branco, em prol da promoção da saúde.

E como se germinam as sementes?

As sementes podem ser germinadas tanto no ar, quanto na água e na terra, basta ter-se em mãos materiais simples como sementes de boa qualidade, vidros de boca larga, tecido de tule (para proteger as sementes no vidro), para a germinação no ar, além de vasilha com água (para a germinação na água) ou bandeja com terra (para a germinação na terra). Daí, em todos os três processos de germinação, lavam-se as sementes e deixam-nas de molho na água por oito horas (1ª ETAPA).
Para a germinação no ar, após as oito horas, escorrem-se a água e levam-se bem as sementes por cinco vezes (2ª ETAPA). Após isso, o vidro com as sementes úmidas é apoiado inclinado a 45°, a fim de que as sementes possam pegar ar, escorrendo assim o excesso do resíduo de água e ficando em um locar com sombra (3ª ETAPA). Na manhã e na noite seguintes, lavar bem as sementes novamente por cinco vezes e retornar ao local onde o vidro ficou inclinado (4ª ETAPA). As sementes estarão prontas para consumo cerca de 24 horas após esse processo, quando delas brotar o que se chamam de “narizinhos para fora”.
Para a germinação na água, após a 1ª ETAPA, as sementes que germinarão irão continuar imersas, trocando-se a água duas vezes por dia (2ª ETAPA). As sementes estarão prontas para consumo quando delas brotar o que se chamam de “narizinhos para fora”, processo esse que pode demorar horas ou dias, dependendo se possuem cascas finas ou grossas.
Para a germinação na terra, após a 1ª ETAPA, as sementes irão germinar no ar, o que garantirá que todas as sementes sejam germinadas, além de um processo de cultivo mais rápido (2ª ETAPA). Já com o “narizinho para fora”, as sementes são espalhadas em uma bandeja com pequenos orifícios embaixo e com 3cm de terra. Depois, são cobertas com pouca terra peneirada e então regadas. No início, csão colocadas em local com sombra e logo após crescidas, em local com sol, sendo regadas regularmente sem encharcar.

OBSERVAÇÔES: Cada semente tem seu tempo de germinação, tempo de ficar de molho.
Algumas sementes devem ser consumidas sob a forma de brotos, devido à presença de substâncias tóxicas no início da germinação. Por isso, continua-se o processo no ar até aparecerem as duas primeiras folhinhas, quando as sementes (no caso, os brotos) estarão prontas para o consumo.

Pode parecer um procedimento puramente de jardinagem ou algo parecido, mas esse processo de germinação de sementes nos proporciona uma melhor alimentação, pois estamos vendo e sabemos o que estamos consumindo, alimentos esses frescos e germinados livres de agrotóxicos ou outros produtos químicos, ricos em fibras, vitaminas e minerais, permitindo-nos um contato maior com a natureza e com o que ela tem a oferecer de bom à nossa saúde.

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