Vegetarianos também podem engordar


Dra Rita de Cassia Sales Coutinho Caputi – Nutricionista RJ


Segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), é considerado vegetariano o indivíduo que exclui, de sua alimentação, todos os tipos de carnes e seus derivados, podendo ou não consumir leite e derivados, e ovos. De acordo com o Instituto Brasileiro de Opinião Pública (IBOPE), entre os brasileiros acima de 18 anos, aproximadamente 10% dos homens e 9% das mulheres são vegetarianos. Essa motivação vem, na maioria das vezes, da mudança do estilo de vida e de valores pessoais, que podem incluir vários motivos: ética em relação ao sofrimento animal (fins alimentícios, cosméticos, de vestuário); preocupação com a saúde, pelo fato de a carne estar relacionada com inúmeras doenças; engajamento ecológico (produção de carne como grande impacto negativo na natureza); hábitos familiares; religião; prática de ioga; motivações filosóficas; rejeição ao paladar da carne, dentre outros. Como qualquer outro tipo de alimentação, quando bem planejada e seguida, o vegetarianismo pode ser benéfico à saúde e pode ainda ser adotado em qualquer fase da vida. É muito mais do que um hábito alimentar; é uma filosofia de vida. Para a entendermos melhor, logo abaixo, estão as suas classificações:

Semi-vegetarianos: Têm uma alimentação mais liberal entre os que adotam a
alimentação vegetariana. ”Há contradições se são ou não vegetarianos, por somente
consumirem carnes brancas até três vezes por semana.

Ovolactovegetarianos: Ingerem, em sua alimentação vegetariana, ovos, leite e
derivados.

Lactovegetarianos: Têm um pouco mais de restrição. Os únicos alimentos animais
que consomem são o leite e seus derivados.

Vegetarianos estritos: Não ingerem nenhum alimento de origem vegetal (inclusive
mel e gelatina animal).

Veganos: Estão incluídos no grupo dos vegetarianos estritos, porém adotaram esse
tipo de alimentação por razões ideológicas, éticas, nas quais, não fazem uso de
nenhum produto de origem animal, inclusive os produzidos com lã, seda, couro e peles.

Os vegetarianos têm 31% menos de chances de desenvolver cardiopatias, 50% menos
diabetes, 88% menos câncer de intestino grosso e 54% menos câncer de próstata. Ao
deixarem de consumir carnes, também deixam de consumir um conjunto de hormônios,
corantes artificiais, conservantes e compostos nitrogenados que podem estar contidos nessas carnes, e tais substâncias vêm sendo muito associadas com o desenvolvimento de cânceres. Geralmente, esses indivíduos possuem níveis glicêmicos e lipídicos controlados, desde que não abusem de massas e doces.

Embora estudos populacionais demonstrem que tais indivíduos, em geral, têm menores
Índices de Massa Corporal (IMC) em relação aos onívoros (indivíduos que ingerem todos
os tipos de alimentos), algumas pesquisas mostram que alguns vegetarianos estritos estão
com o IMC maior do que o dos ovolactovegetarianos. Ou seja, não basta retirar as carnes
da alimentação para reduzir o peso corporal e “compensar”, exagerando em outros grupos
alimentares, como o dos carboidratos. A relação entre alimentação e redução de massa
corporal tem a ver com o valor calórico do que se ingere, mas a qualidade nutricional dos
alimentos é fundamental e também deve ser levada em conta.

De acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira (Ministério da Saúde), a
qualidade de uma dieta depende das escolhas que uma pessoa faz, no dia-a-dia. Pode-se, por exemplo, conseguir 150 calorias ingerindo cerca de 2 colheres de sopa de requeijão cremoso ou ingerindo 20 colheres de sopa de berinjela, ou 22 morangos ao invés de 2 biscoitos recheados, ou ainda, 6 colheres de sopa de arroz integral em vez de 4 colheres de sopa de arroz branco.

Os carboidratos são um macronutriente fornecedor de energia, devendo ser consumido
em maior quantidade em nossa alimentação diária. NADA é proibido, o ideal é priorizarmos
os carboidratos complexos, que são digeridos mais lentamente que os refinados, aumentam
a sensação de saciedade e não se transformam facilmente em “pneuzinhos” no nosso
organismo.

O planejamento alimentar deve ser sempre individualizado e elaborado pelo nutricionista,
junto ao paciente, sempre respeitando suas necessidades energéticas e nutricionais, gostos e hábitos alimentares. Contudo, a SVB sugere porções diárias dos grupos alimentares (porções diferenciadas conforme as necessidades de cada indivíduo!):

Ovolactovegetarianos:
Cereais integrais – 6 porções
Leguminosas (feijões) – 4 e ½ porções
Frutas – 3 porções
Legumes e verduras – 3 porções
Leite e derivados – 3 porções
Óleos, gorduras e oleaginosas – 1 porção
Açúcares e doces – 1 porções

Vegetarianos estritos:

Cereais integrais – 6 porções
Leguminosas – 2 porções
Frutas – 7 porções
Legumes e verduras – 6 porções
Leites vegetais fortificados – 2 porções
Oleaginosas – 2 porções

www.saude.gov.br
www.svb.org.br
Receitas para vegetarianos. Ano 1, n. 1, 2012.

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