Alimentação Judaica


por Dra. Francielle Arruda Rampelotti – Nutricionista SC


JUDAÍSMO
O judaísmo é considerado a primeira religião monoteísta a aparecer na história. Tem como crença principal a existência de apenas um Deus, o criador de tudo. Atualmente a fé judaica é praticada em várias regiões do mundo, porém é no estado de Israel que se concentra um grande número de praticantes.
               
ALIMENTAÇÃO JUDAICA
A alimentação de um povo faz parte de sua cultura, é reflexo do local de origem, do clima, do solo, hábitos, religião e da mistura com a cultura de outros povos. A alimentação judaica é baseada em leis que derivam de preceitos bíblicos e tem como objetivo trazer união e santidade para o povo judeu e não apenas visando a boa saúde. Por essa razão as leis alimentares são obrigatórias e devem ser obedecidas por seus seguidores, mesmo que o motivo não seja compreendido.
A religião judaica é uma das mais exigente quanto às normas de alimentação, que envolve seleção da matéria-prima, abate de animais, preparo e consumo de alimentos, uso de determinados utensílios e também regras de alimentação em certos dias como sabbath ou dias de festas

LEIS DIETÉTICAS
O termo kosher ou kasher é utilizado para definir os alimentos preparados de acordo com as leis judaicas de alimentação. Kasher significa correto, justo, bom. Aplicado à comida, refere-se àquela apropriada ao consumo, de acordo com a lei judaica. Opostamente, a palavra treifá é utilizada para designar os alimentos proibidos. A kashrut é baseada em duas regras básicas. Uma delas diz respeito ao tipo de carne que pode ou não ser consumida. É permitida a ingestão de carne de animais que tem casco fendido e que ruminam, ou seja, vaca, carneiro, bode e cervo. Também é permitida a ingestão de animais aquáticos que tem barbatanas e escamas, ou seja, os crustáceos e moluscos não fazem parte da alimentação judaica. A aves permitidas são o frango, o peru, o faisão e o pato.
De acordo com as leis dietéticas, não basta que certas espécies de animais sejam classificadas como permitidas para o consumo; também é necessário que sejam abatidas de forma ritualística, por um funcionário muito bem treinado, numa posição semi-religiosa: o shochet. Para que um animal possa ser comido ele não pode ter sofrido ao morrer. Isso impede que um judeu cace animais, ou coma algum que tenha sido morto por outro animal.
A segunda regra do kashrut é não misturar carne com leite e/ou derivados na preparação, armazenamento ou consumo de alimentos. A origem bíblica dessa norma é encontrada no livro Êxodos, capítulo 19, que diz: "Não cozerás o cabrito no leite de sua mãe". O MANUAL DE DIETAS DA CLÍNICA MAYO (1988) aponta que "nos alimentos preparados são utilizados símbolos para o consumidor que certificam se o alimento é Casher. O emblema U significa ser supervisionado pela União de Congregações Judias Ortodoxas; a letra K isolada, sem uma marca comercial, indica supervisão realizada pela própria a companhia (e nem sempre aprovada pelos rabinos ortodoxos); o emblema K, registrado pela Organized Kasrus Laboratories; VH é empregado pela Vaad- Harobonim de Massachussetts; MK é utilizado pela Montreal Vaad Hair, COR é registrado pelo Conselho de Rabinos Ortodoxos de Toronto e CRC é o emblema do Conselho Rabínico de Chicago.".
Os alimentos Casher representam nos Estados Unidos um mercado de US$ 35 bilhões/ano, incluindo mais de 38 mil alimentos certificados como Casher produzidos por 9600 empresas do ramo de alimentos (American Meat Institute, 2000, Kosher, 1997; Stern, 1990; Sojka, 1995). Os alimentos Casher não são somente adquiridos por judeus, mas também por muçulmanos, adventistas, vegetarianos, pessoas com alergias a certos alimentos e ingredientes e outros consumidores que simplesmente consideram subjetivamente o alimento Casher como sendo de alta qualidade.
          

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