Nutrição Aplicada a Terapia Cognitivo Comportamental

por Dra Juliana da Silveira Gonçalves – Nutricionista RS


“O que perturba o ser humano não são os fatos, mas a interpretação que se faz dos fatos.” Epitecus – Século I '

As terapias cognitivo-comportamentais são tratamentos relativamente de curta duração, voltados para objetivos e focados em problemas que se baseiam fundamentalmente no modelo de que mudar as cognições é possível e leva à mudança comportamental. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma intervenção semi-estruturada, objetiva e orientada para metas, que aborda fatores cognitivos, emocionais e comportamentais A TCC é um termo genérico que abrange uma variedade de mais de 20 abordagens dentro do modelo cognitivo-comportamental. Todas as terapias congnitivas pressupõem, fundamentalmente, que o comportamento é influenciado pelos pensamentos. Os primeiros escritos importantes e as primeiras abordagens cognitivo-comportamentais para o tratamento dos transtornos emocionais começaram a surgir nas décadas de 60 e 70. Todas as TCC derivam de um modelo cognitivo prototípico e compartilham alguns pressupostos básicos, mesmo quando apresentam diferentes abordagens conceituais e estratégicas nos diversos transtornos. Atualmente dispõe-se de uma ampla gama de tratamento de diversos problemas psiquiátricos tais como transtornos de ansiedade, depressão, disfunções sexuais, distúrbios obsessivos-compulsivos e alimentares, sendo umas das técnicas terapêuticas auxiliares para o controle de peso, onde baseia-se na análise e modificação de comportamentos disfuncionais associados ao estilo de vida do paciente. O objetivo é implementar estratégias que auxiliam no controle de peso, reforçar a motivação com relação ao tratamento e evitar a recaída e o conseqüente ganho de peso novamente. Na prática clínica geral, a TCC utiliza uma ampla variedade de técnicas para abordar dificuldades interpessoais e estratégias para propiciar que o paciente possa regular afetos. Um dos objetivos do uso das técnicas comportamentais é que o paciente possa identificar os estímulos que antecedem o comportamento compulsivo, bem como situações que facilitam a não aderência ao tratamento e, conseqüentemente, seu insucesso. As estratégias cognitivo-comportamentais são utilizadas visando à modificação de hábitos prejudicais ao paciente. A Terapia Cognitivo-Comportamental centra-se nos problemas que estão sendo apresentados pelo paciente no momento em que este procura a terapia, sendo que seu objetivo é ajudá-lo a aprender novas estratégias para atuar no ambiente de forma a promover mudanças necessárias. A metodologia utilizada na terapia é de uma cooperação entre o profissional e o paciente de forma que as estratégias para a superação de problemas concretos são planejadas em conjunto. Um dos objetivos da TCC é corrigir as distorções cognitivas que estão gerando problemas ao indivíduo e fazer com que este desenvolva meios eficazes para enfrentá-los. Para tanto são utilizadas técnicas cognitivas que buscam identificar os pensamentos automáticos, testar estes pensamentos e substituir as distorções cognitivas. Em geral, a TCC também focaliza estratégias para prevenção de recaídas. Por fim, embora existam algumas diferenças no modo como ela foi empregada em diferentes ensaios clínicos, os programas utilizados nesses estudos são semi-estruturados, geralmente implementados no formato de grupo (com aproximadamente 10 pacientes) e com a duração média de 12 sessões de 90 minutos. Indivíduos que desejam emagrecer têm, geralmente, uma longa história de dietas. Provavelmente já procuraram diferentes profissionais da área da saúde e, na maioria das vezes, o que alcançaram foi o reforço da idéia de que “emagrecer manter-se magro é muito difícil, complicado ou mesmo impossível”. Outra idéia muito comum para quem já fez mais de uma tentativa para redução de peso é a de que emagrecer até é possível, mas não é a manutenção, a longo prazo, do emagrecimento conquistado. A maioria dos pacientes beneficiam-se de um tratamento que associe a terapia cognitivo- comportamental (TCC) aos aspectos nutricionais. Alguns programas de TCC orientam os pacientes a focalizarem na questão da perda de peso depois de terem obtido controle da compulsão alimentar. O pressuposto inicial foi que o foco prematuro na questão do emagrecimento poderia incentivar um aumento da restrição alimentar e que esta seria um fator predisponente para a ocorrência da compulsão alimentar. Poucos estudos têm sido feitos avaliando a redução da gordura abdominal. Os poucos realizados demonstram uma redução da circunferência abdominal (menos de 2,9cm) em mulheres em tratamento com TCC, numa observação de 4,5 anos, embora não houvesse redução do peso corporal. Achado semelhante foi encontrado com redução de 2,4% de gordura corporal, em sujeitos com sobrepeso após programa de estilo de vida ativa, embora sem redução global de peso. Grande parte dos pacientes que procuram profissionais da área da saúde (nutricionista, psicólogos, psiquiatras, médicos, entre outros) não apresentam uma patologia específica que justifique o sobrepeso apresentado. Na verdade, mostram-se possuidores de maus hábitos alimentares associadas, muitas vezes, a erros alimentares e pouca ou total falta de atividade física. Podemos definir mau hábito alimentar o repetir desnecessário, omitir ou trocar refeições como almoço por lanches, “beliscar”, manter longos períodos de jejum entre as refeições ou comer em grande quantidade. Considera-se erro alimentar a dieta pouco balanceada, o deixar de comer determinados alimentos por acreditar serem “engordantes” e abusar de alimentos diet/light pelo motivo oposto. Cabe ao nutricionista elaborar e acompanhar a evolução do plano alimentar que permitirá alcançar o emagrecimento e a manutenção do peso desejado. Desde o início do tratamento, é aconselhável que sejam respeitadas as preferências alimentares e a rotina diária do paciente. O programa de reeducação alimentar inclui registros alimentares e de atividade física, monitoramento das situações consideradas de risco e aprendizagem de habilidades para lidar com elas, reestruturação cognitiva, treinamento de assertividade, técnicas para atingir saciedade e diminuir a ingesta, reforço da auto-eficácia e treinamento de estratégias, assim como a prevenção da recaída. Não é possível prever tempo despendido na redução de peso corporal; por essa razão, é difícil pré-estabelecer a duração do programa. As consultas, inicialmente são semanais e, na fase da manutenção do peso, mais espaçadas. 

Referências
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