Você sabe o que é o selênio?



O selênio (Se) é um mineral essencial a muitos processos corporais e é encontrado no
solo. É essencial para a saúde e necessário para o crescimento normal, fertilidade e
prevenção de uma grande variedade de doenças. É um nutriente intimamente relacionado
às complexas funções enzimáticas e metabólicas. No corpo humano, ele está presente em
quase todas as células, sendo mais abundante, contudo, nos rins, fígado, baço, pâncreas e
testículos. O Se é um microelemento indispensável da dieta de animais e está envolvido no
sistema antioxidante do organismo através da enzima glutationa peroxidase, enzima que
cataliza a quebra de hidroperóxidos .

Em 1989 o "Food and Nutrition Board of the National Research Council" estabeleceu as
recomendações de ingestão diária para selênio, para homens foi estabelecida em 70 mg /
dia e para mulheres em 55 µg / dia. A RDA para o selênio não foi estabelecida ainda.

Ainda não há um consenso sobre a quantidade ideal de selênio. Alguns autores estimam
que o consumo ideal fosse de 250-300µg/dia, mas a dieta habitual contém apenas 35-
60µg/dia. O consumo adequado de selênio é necessário para se alcançar uma ótima
saúde e expectativa completa de vida. Sendo assim, a RDA para selênio (definida em 2000
pelo Food and Nutrition Board) é de 55 a 70µg/dia para homens, mulheres e adolescentes
(de 14 a 18 anos de idade).

Outras pesquisas mostram que a recomendação para o consumo de selênio é de no
máximo 55 μg. Já a Academia Nacional de Ciências do EUA recomenda uma ingestão diária
de 50 a 200 mcg/dia, ou seja, pelo menos 1 µg/kg de peso corporal. O papel preventivo ou
curativo do selênio na senescência cutânea permanece hipotético. Sabe-se que ele previne
certos danos celulares epidérmicos fotoinduzidos e que alguns autores recomendam uma
suplementação na ordem de 100 µg/dia e de 200 µg/dia, em caso de antecedente de
carcinoma cutâneo.

A deficiência de selênio ocorre quando a ingestão diária desse mineral é menor ou igual
a 11µg/dia. No entanto, em vista da ampla variedade de alimentos contendo selênio, sua
deficiência é rara em todo o mundo. A deficiência de selênio leva anos para se desenvolver
quando a ingestão alimentar é adequada.

Mesmo rara a deficiência de selênio, alguns grupos são mais vulneráveis, sendo eles:
indivíduos submetidos à nutrição parenteral total (sem suplementação de selênio),
enfermos de doenças crônicas não transmissíveis, enfermos do trato gastrointestinal,
fumantes, idosos, gestantes e lactantes, crianças de 2 a 10 anos e adolescentes do
sexo feminino, populações que habitam áreas com solo pobre em selênio e áreas
antropogênicas ou naturalmente contaminadas por mercúrio.

A deficiência de selênio foi inicialmente relatada em pacientes desnutridos submetidos a
nutrição parenteral a longo prazo. A suplementação resultou em melhora nos níveis de
selênio, atividade plaquetária de GSH-Px e melhora dos sintomas clínicos.

As ingestões deficientes em selênio também podem contribuir para a carcinogênese. Os
pacientes com alguns cânceres mostraram ter baixos níveis séricos de selênio, apesar dos
mecanismos subjacentes para esta correlação não terem sido estabelecidos. Uma possível
explicação está na possibilidade de falha na GSH-Px em varrer radicais livres de forma
eficiente nas células em divisão. Além disso, os pacientes com cirrose possuem baixas
concentrações plasmáticas de selênio, o que pode predispô-los ao câncer.

Os indicadores de toxicidade de selênio e o nível de ingestão dietética no qual a toxicidade
ocorre foram relatados apenas na China. Os sintomas de toxicidade, conhecidos como
selenose, incluem alterações cutâneas e das unhas, cárie dental e anormalidades
neurológicas.

Estudos comprovam que o uso oral do selênio previne lesões ao DNA causadas pela
radiação ultravioleta; diminui o processo inflamatório na pele, agindo sobre a interceucina-
II; e reduz a apoptose celular, aumentando a capacidade antioxidante celular.

O homem obtém selênio por meio de alimentos, suplementos, água e ar. Porém, a
principal fonte é a alimentação. Não foram publicadas tabelas completas do teor de
selênio dos alimentos. A concentração de selênio nos alimentos depende do teor deste
mineral no solo e na água onde foram cultivados, como por exemplo o conteúdo de
selênio nos grãos. As melhoras nas técnicas analíticas resultaram em alterações feitas em
muitos dados previamente publicados do teor de selênio dos alimentos durante as últimas
décadas .

Inúmeras pesquisas mostram que a concentração de selênio nos alimentos pode
apresentar grande variação, dependendo dos teores presentes no solo. Em função da
importância do selênio, é necessário conhecer a composição nutritiva dos alimentos,
de forma a garantir um consumo adequado desse elemento por parte da população.
Contudo, as mais completas tabelas de composição química de alimentos editadas no
Brasil não contêm dados sobre teores de selênio, ou os dados, além de compilados a partir
de estudos realizados em outros países, restringem-se a poucos alimentos.

A principal fonte de selênio é a castanha-do-pará, ela contém cerca de 325 µg, podendo
ser ingerido até 500 µg diários, mas sendo tóxico a partir de 2000 µg. Há outras fontes
alimentares como, frutos do mar (peixes e crustáceos), rins, fígado, carne vermelha, aves,
nozes, alho, tomate, milho, soja, lentilha .

É valido lembrar que embora nem sempre todos os nutrientes consigam ser ofertados
e ou biodisponibilizados pela alimentação a reeducação alimentar deve ser prioridade
e a suplementação uma alternativa de suprir as carências. O alimento dispõe de um
sinergismo nutricional, o qual otimiza a atuação dos nutrientes nele presente. Alem
disso, muitas vezes ao introduzirmos um alimento com o objetivo de ofertar determinado
nutriente, também se altera um hábito alimentar não favorável aquela condição.

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