Reflexões
sobre um novo conceito
POR Dra. Fabiana Neumann - Nutricionista RS
Um
artigo publicado por Maria Martins e colaboradores na Revista de Nutrição em
abril deste ano, faz novas reflexões sobre a Ortorexia Nervosa (ON), um
comportamento obsessivo patológico, caracterizado pela fixação por saúde
alimentar, qualidade dos alimentos e pureza da dieta. O termo ortorexia nervosa
foi criado por Steven Bratman, médico americano, que sugeriu esse quadro ou
condição como um novo comportamento alimentar transtornado.
Os
indivíduos com comportamento ortoréxico se caracterizam por ingerir alimentos
que contribuam para o bom funcionamento do organismo e "libertem o corpo e
a mente de impurezas" a fim de alcançarem um corpo saudável e maior
qualidade de vida. Na busca da "pureza alimentar", esses indivduos
podem tornar-se muito seletivos em relação aos alimentos que escolhem e acabam
optando por condutas alimentares cada vez mais restritivas e que podem levar à
carência de determinados nutrientes, colocando em risco a própria saúde.
Segundo
o artigo, o perfil dos indivíduos vulneráveis à ortorexia nervosa é caracterizado
por "pessoas meticulosas, organizadas e com exacerbada necessidade de
autocuidado ou proteção". Esse grupo inclui mulheres, adolescentes,
pessoas adeptas de modismos alimentares e de hábitos alimentares alternativos e
também atletas.
Neste
trabalho, os autores também fazem uma comparação interessante entre a ortorexia
nervosa e os transtornos alimentares mais clássicos. O trabalho levanta uma
temática nova e pouco discutida em nutrição fazendo uma revisão dos principais
artigos científicos relacionados ao tema e destaca a importância de que os
profissionais de saúde estejam atentos e atualizados sobre o ato de comer e
suas implicações. O conceito e a adoção de hábitos saudáveis e seguros na
alimentação devem estar afastados de atitudes e práticas obsessivas e
perfeccionistas, ainda que elas sejam motivadas por um desejo de alcançar a pureza
da dieta a qualquer custo, diz a autora.
A
prevalência da ortorexia nervosa ainda é desconhecida. As pesquisas disponíveis
até o momento foram realizadas em lugares muito diversos (Alemanha, Áustria,
Itália, Suécia e Turquia), em amostras pequenas e específicas, de modo que a
tradução para nossa realidade deve ser feita de forma muito cuidadosa.
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