PESQUISA | Cozinhas concentram mais bactérias do que banheiros‏

Se você tem mania de limpeza, não leia esta matéria, ou será difícil relaxar ao jantar ou tomar banho na casa de algum amigo. Estudo realizado em nove países mostra que cerca de dois terços dos banheiros têm alto nível de contaminação por bactérias nos rejuntamentos (aquele espaço entre os azulejos, ou entre a parede e o chão).
Apesar desse dado, o trabalho revela que o banheiro não é o ambiente mais sujo da casa, como explica o virologista britânico John Oxford, professor da Escola de Medicina e Odontologia Queen Mary, da Universidade de Londres. “As pessoas têm uma preocupação natural com o banheiro, mas é na cozinha que estão as superfícies mais contaminadas”, conta o especialista, que veio ao Brasil esta semana e conversou com o UOL Ciência e Saúde.
Onde, exatamente estão os micróbios? Nos panos de prato, nas esponjas e, acredite, no interior da geladeira.
Oxford é líder do Conselho Global de Higiene (Hygiene Council), um grupo sem fim lucrativo que reúne especialistas de várias partes do mundo e que recebe recursos da Reckitt Benckiser, multinacional que detém algumas marcas de produtos de limpeza.
A pesquisa foi conduzida em nove países (África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Austrália, Canadá, Estados Unidos, Índia, Malásia, Reino Unido). Em cada um, foram coletadas amostras em vinte domicílios de diferentes classes sociais e presença de crianças.
Apesar do número limitado de amostras analisadas (o grupo pretende ampliar o estudo), Oxford explica que o estudo ajuda a detectar problemas de higiene nos lares e direcionar as recomendações para o público.
Em todos os países, o rejuntamento do banheiro (também conhecido como “rejunte”) foi o campeão de sujeira. Além da E. coli, bactéria causadora de infecções intestinais, a presença de fungos também foi alta - a umidade é perfeita para esses micro-organismos, que ao serem inalados podem provocar alergias respiratórias.
http://img.uol.com.br/materia-modulos/abre_aspas.gifO vírus influenza, causador da gripe, sobrevive por cerca de duas horas nas mãos, por até 24 horas nas superfícies de plástico ou aço e até 48 horas na madeirahttp://img.uol.com.br/materia-modulos/fecha_aspas.gif
John Oxford, considerado um dos maiores especialistas do mundo em gripe suína, ou H1N1
Os países com pior índice de contaminação no rejuntamento do banheiro foram Índia, Malásia, Arábia Saudita, Reino Unido e Austrália, em ordem decrescente. O melhor índice foi encontrado no Canadá, onde a maior parte dos moradores afirmou usar água sanitária e/ou fungicida para limpar o banheiro.
Geladeira
A segunda área das residências com maior quantidade de micro-organismos, de acordo com a pesquisa, foi o interior da geladeira. Os exames acusaram grande quantidade de bactérias e fungos em quase metade dos lares. O problema é consequência do hábito de deixar a comida direto sobre a prateleira e também pela temperatura inadequada – ao abrir a porta com frequência, o ambiente se aquece e as bactérias e fungos se proliferam. A recomendação é limpar as superfícies pelo menos uma vez por mês.
Pano e esponja
Outra fonte de micróbios da casa é o pano de prato: os testes acusaram excesso de bactérias em 36% das amostras. Para piorar, os pesquisadores encontraram E. coli, que tem origem fecal, em 6% delas, e Staphylococcus aureus, que se prolifera na pele e nas narinas, em 5%. Isso significa que muita gente não lava as mãos corretamente e depois utiliza a toalha para enxugar os pratos, contaminando a louça e a comida.
Segundo o Hygiene Council, o ideal é trocar o pano da cozinha todos os dias e lavá-lo com água quente. O aquecimento, aliás, também é útil para lavar a louça. “Mas é uma prática que não é comum em muitos países e, além disso, o cuidado com o meio ambiente tem feito as pessoas usarem mais água fria”, comenta.
Oxford também ressalta que as pessoas devem tomar cuidado com as esponjas na cozinha. Se não for possível trocá-las com frequência, ele recomenda que elas sejam desinfetadas todos os dias após a lavagem da louça.
Gripe
Como nunca é demais lembrar, Oxford enfatiza que é preciso investir tempo, água e sabão para lavar as mãos corretamente, pelo menos ao chegar em casa, antes de comer ou cozinhar e, principalmente, após usar o banheiro.
Por fim, ele lembra que as pessoas devem dobrar os cuidados com a limpeza das mãos e das superfícies (como mesas, controles-remotos, telefones, teclado do computador etc) quando algum morador da casa estiver doente. “O vírus influenza, causador das gripes, sobrevive por cerca de duas horas nas mãos, por até 24 horas nas superfícies de plástico ou aço e até 48 horas na madeira”, ensina Oxford, que é considerado um dos maiores especialistas do mundo em gripe suína, ou H1N1.
Pelo que mostram os estudos, as pessoas ficam mais doentes por problemas de higiene do que se imagina. Mas, para ele, não se trata de desleixo, apenas de não limpar as mãos e a casa da forma mais adequada. “Aparência nem sempre é garantia de limpeza.”

2 comentários:

Um Pouquinho de mim! disse...

Adorei a matéria, de extrema importância, para o combate a doenças.
Lavar as mãos com frequência e corretamente é uma medida tão simples, por que será que as pessoas relutam tanto em fazer isso?
Outra coisa, ouvi dizer que sabonete em barra são agentes de contaminação e que o ideal é utilizá-los na forma líquida, você sabe me dizer se essa informação é correta?
Um grande Abraço
Francis Morelli

20/6/10
Kilza Miranda disse...

Olá Francis boa noite e obrigada pela visita!
Bom, vejo que esta informação procede; muitas vezes o sabão em barra fica parado, com água e até mesmo restos de comida, tendo maior risco de contaminação. A forma líquida além de evitar a contaminação é bem mais prática.

Boa semana,

20/6/10

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