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Farinha de alfarroba o que é?

por Dra Rita de Cassia Sales Coutinho Caputi – Nutricionista RJ

Uma opção para os “chocólatras de plantão”



Com a aproximação da Páscoa, começa a corrida às compras de ovos, bombons e barras de chocolate... e também aquele medo de engordar alguns quilinhos por conta dessa (nem sempre) doce paixão. Para os aficcionados por chocolate pode haver uma alternativa de contornar o vício pela iguaria: você já ouviu falar nos substitutos do cacau (Theobroma cacao)?

Um deles é a farinha tostada de alfarroba (Ceratonia siliqua L.), ou simplesmente, alfarroba em pó. A alfarroba, o fruto da alfarrobeira, árvore nativa dos países mediterrâneos, é consumida em muitos países árabes na forma de doces e de uma bebida consumida durante o Ramadan (nono mês do calendário islâmico, no qual os muçulmanos praticam seu jejum ritual, além de renovarem sua fé, praticarem a caridade e vivenciarem os valores da vida familiar). Após secagem, trituração e torrefação, a polpa da fruta dá origem ao pó ou à farinha de alfarroba, que, apesar de possui cor e sabor similares aos do cacau, tem menor teor lipídico e a vantagem de não conter os compostos estimulantes (cafeína e teobromina) contidos no cacau e que são considerados fatores antinutricionais (elementos que interferem na disponibilidade de nutrientes em nosso organismo; em excesso, reduzem a absorção de cálcio, ferro, estimulam a musculatura cardíaca), não possuindo, dessa forma, o efeito viciante do cacau, podendo ser consumido inclusive por indivíduos que devem evitar estimulantes, como pacientes cardiopatas.

A alfarroba já era utilizada na indústria alimentícia como espessante (goma jataí), com a finalidade de melhorar a textura de bolos e biscoitos, espessar molhos para saladas e melhorar características de congelamento e fusão de sorvete. No exterior, era mais consumida por vegetarianos e pessoas que se preocupavam em ter uma alimentação mais natural e saudável. Agora já é possível encontrar aqui no Brasil, em lojas de produtos naturais e afins, produtos contendo alfarroba, como doces de banana e de coco com cobertura de alfarroba, alfarroba em pó para uso culinário, etc.


Referências

  • Medeiros, Magda Leite; Lannes, Suzana Caetano da Silva. Avaliação química de substitutos de cacau e estudo sensorial de achocolatados formulados. Ciênc. Tecnol. Aliment., Campinas, 29 (2): 247-253, abr.-jun. 2009.
  • ______. Propriedades físicas de substitutos do cacau. Ciênc. Tecnol. Aliment., Campinas, 30 (Supl. 1):243-253, maio 2010.
  • Baldasso, Camila; Martins, Shaiana; Sangiovanni, Paula. Espessantes. Porto Alegre, abril 2004.
  • Pires, Aureliano José Vieira; Vieira, Viviane Figueiredo; Silva, Fabiano Ferreira da; et al. Níveis de farelo de cacau (Theobroma cacao) na alimentação de bovinos. Revista Electrónica de Veterináaia REDVET, v. VI, n. 2, Febrero 2005.

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